Ari 的个人资料Ari Machado照片日志列表 工具 帮助

日志


6月22日

O Bem E O Mal

 

Já pensaram que, supondo, meramente supondo, não digo que exista, veja bem, mas supondo que o mal e o bem existam na sua forma mais pura e que o ser humano neste mundo está a mercê dos dois, então qual seria nosso objetivo? Optar por um dos lados? Seria pretensão absoluta ser o bem absoluto, assim como o mal absoluto, portanto porque não ser o ponto neutro, aquele em que o mal e o bem não existam? Seria difícil? Claro que sim! O Bem assim como o Mal estariam sempre nos corrompendo para seguir para o seu lado. Agora considere que o Bem seria incapaz de corromper alguém! Sério? Como ele venceria esta luta? Tornando-se absolutamente incapaz  de adquirir qualquer influência sobre alguém? Então o Mal também seria! Seria impossível! O mal está a espreita, assim como o Bem. Então seria interessante se nós, seres humanos, colocados no mundo para que escolhêssemos um dos dois nos rebelássemos e escolhêssemos aquele ponto em que nenhum dos dois tem qualquer influência! Seria perfeito! Mas a perfeição não é a aspiração suprema do Bem? Ou seria do Mal? Como saber? Jesus pregou o Bem perfeito, cujos mandamentos o Mal se apropriou e dominou o Mundo. Interessante isto! Muitos ainda acreditam que a religião, criada em cima dos ensinamentos dele seria a salvação do mundo. Buda pregou exatamente a neutralidade, o ponto onde nada se move, nada muda, mas o Mal apropriando-se dos ensinamentos dele pregou que este seria o Bem perfeito, daí os seres humanos, não entendendo nada, procuraram a perfeição a partir do Bem. E o Bem? O que fez nisso tudo? Seria o Mal o único ativo? Claro! Pois o Bem não quer ninguém sob sua influência que não seja por seu total e livre arbítrio. Então estamos a mercê totalmente do Mal? O problema reside na razão humana, naquela exata expressão que faz com que ninguém tenha nada sem que seja para o seu próprio bem, mas o Bem absoluto não pensa no seu bem senão seria egoísmo, algo do Mal, mas o ser humano foi ensinando a pensar a partir do Bem? Não! Fomos e somos ensinados a todo instante a pensar a partir do Mal, daí sermos incapazes de conceber qualquer ação que seja totalmente para o lado do Bem absoluto.

O que nasceu primeiro? O bem ou o mal? A luz ou a escuridão? De acordo com a Bíblia, livro sagrado de milhões de pessoas, no início tudo era trevas e deus pairava sob estas trevas, então, ele ordenou: Faça-se a luz! Intrigante, pois daí nos vem a pergunta, o que é o início primal, o uno, o indivisível? As trevas e a escuridão? Ou a luz e a claridade? Qual deles é o bem e qual é o mal?

Nietzche dizia ser impossível algo nascer de seu contrário, seria tolo acreditar nisso, tudo teria a sua origem própria, fora do nosso mundo real. Se um não fez o outro, então algo ou alguém criou estes dois conceitos e porque não acreditarmos que o homem após existir os criou para amparar sua própria existência? Daí então o melhor a acreditar é que o homem é o criador de tudo e que a sua primeira criação foi exatamente esta, a distinção entre o bem e o mal, o dualismo, se algo existe algo que não existe contrário ao que existe também existe. Ao tomar consciência dos contrários para o homem fez-se a luz e tudo se tornou claro e a partir daí perdeu-se em suas criações. Sua própria criação o engoliu em abstrações e distrações.

Ao existir a luz a escuridão deixa de existir, quando se esta na luz não se tem consciência alguma de escuridão, é impossível concebê-la, pois se a escuridão existe, então a luz deixa de existir. Como posso ter consciência das duas? O homem, está fora das duas existências, está na existência do homem, portanto o homem existe e as forças antagônicas apenas servem para comprovar a sua existência, pois caso uma delas deixe de existir a outra prevalece e deixa de existir no seu âmago e passa a ser única e perfeita, portanto desaparece a sua existência e surge um novo conceito, assim como todos os contrários deixaram de existir a partir daí personificados pelo homem como o bem e o mal. O homem volta a sua origem, sem consciência e não existência.

 Portanto não seria  melhor assumirmos nossa insignificância, ou nossa importância, depende do ponto de vista e ser o que podemos ser: Sem preocupação de que lado estamos, somos um pouco de cada um e nenhum, porém únicos: Humanos

 
11月20日

Amanhã

 

“Concebo o amanha como uma entidade, um ser palpável, que está ali, a minha espera.” A moça virou-se para o rapaz com um misto de satisfação e regozijo no rosto. A frase parou no ar, suspendeu-se sob as cabeças das pessoas e entrou em cheio em minha mente.

Naquele instante, parado na fila para pegar o ônibus eu estava mais preocupado com o maldito coletivo que, como sempre, estava atrasado. Pobre prefeito! Era xingado! E coitada da mãe dele se soubesse do que era chamada teria preferido que o filho fosse até mesmo um desconhecido gari do que o difamado prefeito. Quanto perde um político por estar uma porcaria de ônibus atrasado! Era só o que se comentava na fila de ônibus. Nunca ouvi comentário diferente de futebol, novela ou política. Por isso aquela frase me pegou, e como!

O que ela quis dizer? Como ser o amanha algo palpável? Entidade? Estranho! Tudo isso foi achegando-se em minha mente, mexendo em meu raciocínio e não pude mais parar de pensar a respeito, teria que analisar a questão para chegar a uma conclusão. Precisava tirar conceitos e ir à procura do que ela disse. Não foi só a frase, a expressão do rosto dela é que marcou mais. Ela creditava e mais, sentia satisfação naquilo. Tinha prazer em pensar daquela forma. Era como se ela fosse uma visitante do amanhã no ontem. Se eu pudesse falar com ela, mas sequer pensei nisso naquela hora, sem explicações e com a cabeça cheia de amanhãs, não conseguia pensar em mais nada. A que amanhã ela se referia? O que vem depois do hoje? Bem que poderia afinal sempre nos referimos a esse dia como o cúmplice que nos aguarda para uma conspiração. Afinal o amanhã saberá tudo de hoje e até mesmo de ontem, portanto somos nós mesmos muito mais instruídos e sábios. O que mais queremos, na verdade é estar lá, com ele, seja para saborear as coisas boas que acontecerão seja para fugir das ruins que aconteceram. Afinal essa de que “gostaria que isso durasse eternamente” não é nada mais do que um transporte para o amanhã do que temos ou sentimos agora, o agora eternizado. O hoje se vai e tendemos sempre a eternizar o que ele trouxe de bom.

Ou o amanhã da moça seria o futuro incerto e duvidoso? Estaria ela referindo-se à época vindoura? Esse enigma sem sentido e muitas vezes até amedrontador que sequer queremos imaginar? Não gostaria de ter esse senhor a minha espera. Não penso nele afinal é algo tão distante quanto às estrelas, mas, presente também no dia a dia e com que violência nos é lembrado. Não deixam sequer um pouco de esperança, quem fala desse amanhã, só consegue ver guerras, catástrofes e calamidades. Estudos, pesquisas e mais estudos são sempre feitos, publicados e transmitidos pelos meios de comunicação como se quisessem convencer a todos que esse amanhã jamais chegará. É a própria antítese em favor da tese, deixando a todos estarrecidos e amedrontados. Talvez seja mesmo dessa forma que se consiga convencer a todos que temos um futuro, mas pergunte a qualquer um na rua se acredita nisso. É uma boa questão para analisarmos, afinal não estamos falando de tudo o que temos? Sim como não? O futuro é o hoje eternizado é o tempo que se tem à frente, sem limites. Considerando o tempo no contexto criado pelo homem.

A questão do tempo/espaço confunde muitas mentes e as pessoas não conseguem entender a relatividade no que toca a estes aspectos. Na verdade não existe o tempo e o espaço com passado, presente e futuro. Um evento ocorre independente de tempo e do espaço, um evento só pode ocorrer se estiver em uma linha continua de eventos anteriores, portanto, tudo acontece como deve acontecer. Seria possível, para um observador externo verificar todos os eventos como anteriores e posteriores caso não existisse nenhuma concepção de passado, presente e futuro apenas a classificação como eventos anteriores e posteriores. Seria, portanto, possível ver o futuro, bastaria saber que linha de eventos seguir, pois cada evento ocorrido proporciona uma finitude de vários eventos que podem ocorrer e deverá ocorrer independente de se ter optado por seguir por este ou aquele caminho. Para o observador externo os eventos estariam sempre lá, seqüenciais e podendo ser visualizados, independente de terem ocorridos antes ou depois de um outro evento.

Dessa forma chega-se a conclusão que o destino existe? Sim! Você poderia considerar desta forma, que o destino existe, mas, e os eventos imprevistos? Aqueles que nada têm a ver com as suas escolhas ou com as escolhas de pessoas que convivem com você? Por exemplo, a queda de um asteróide? Uma enchente? Eventos que fazem parte do universo e que seriam identificados como naturais? Há como prever estes eventos? De alguma forma o homem está domando a natureza e na sua interação tenta entendê-la e desta forma prever estes eventos para que consiga ou afastar-se do espaço/tempo onde estes eventos possam ocorrer ou evitá-los através da anulação das suas causas. Para isso usa o tempo que existe apenas na sua mente. Talvez esta seja a maior descoberta do homem desde os primórdios de sua consciência. Esta seria a forma de limitar o homem no espaço em que vive para poder sobreviver aos eventos imprevistos, eventos estes que independem de ações ou de eventos que ele próprio esteja causando.

Tirando-nos o futuro nada teremos nada seremos, portanto ele é a esperança, a esperança que sempre será a última a morrer. Assim chegamos à conclusão que deveremos evitar previsões de futuros negros, na verdade, elas são para convencer do contrário, só que não andam fazendo o efeito esperado, mas com crédito ou sem crédito, a gente continua. Nada melhor do que um dia após o outro e afinal de contas amanhã é muito cedo para a humanidade.

Falei com amigos, convenci pessoas, fiz uma revolução com tudo isso. Não deixei por menos, de qualquer forma foram dias de pensamentos e labuta em favor do amanhã. Ninguém entendeu nada e mesmo aqueles que conseguiram captar um pouco de minha angústia não saíram de sua visão limitada ao tempo criado por tantos e tantos eventos imprevistos que aconteciam em suas vidas. Impossível convencer que a maioria destes eventos eram causados por eles mesmos e que se quisessem saberiam exatamente onde poderiam chegar e prever o que poderia acontecer.

Algum tempo mais tarde, novamente eu na fila ouvindo falar do prefeito, quando... Vejo quem? A moça do amanhã. Sorrio para ela, que vira o rosto. É claro, não me conhece, chego até ela e cumprimento-a, explico-lhe a situação, ela me diz calmamente: ”Não sei do que você está falando, nunca disse isso, se disse não lembro”. Bom! A moça realmente não lembrou mais de nada, ela sequer acreditava no dia de amanhã, todos os dias eram iguais e o hoje era o todo sempre. Os pensadores cientistas e estadistas que se preocupassem com o amanhã, enquanto ela vivia o hoje. Não me enganei de pessoa, tenho certeza, mas talvez aquela frase tenha sido pega solta em algum lugar e ela disse ao rapaz para impressioná-lo. Não sei, só sei que a impressão mais forte que tenho na mente é a expressão do rosto dela que não consegui esquecer. Quem sabe, amanhã consiga esquecer.


2月6日

Mulheres Cheguei!

Que grande amigo ele era! Nunca junto mas sempre presente.

Jamais poderemos esquecer dele, sem duvida alguma as mulheres principalmente.

Não, não quero dizer que o meu amigo era alguém importante, sequer era famoso. Nada disso. Era uma pessoa como outra qualquer do sexo masculino e que basicamente sentia-se bem em qualquer lugar.

Há algum tempo ele podia vangloriar-se de ser o senhor absoluto da verdade e também da mentira.

O homem patriarcal, senhor da vida da esposa e dos filhos. Aquele protetor supremo da honra familiar, o grande guardião das portas da sabedoria. Está em extinção, bem sei, restam alguns espécimes agonizantes ou em mutação, mais sem duvida, o original puro sangue não existe mais.

A família está em mutação. O novo homem clama seu lugar na sociedade que sempre foi dele, mas novamente notamos que em cada mudança, há medo e certa resistência.

As mulheres, principalmente, opõem mais resistência a um tipo novo, estranhamente o ser que elas próprias queriam.

Estavam acostumadas a tratarem com um Senhor Feudal e sentem medo de um Senhor Liberal que por vezes não é tão liberal ainda. Aí reside o problema.

Se a igualdade era requerida, ela foi conseguida. Em parte. Afinal, escravidão é bom e sempre foi a tônica do desenvolvimento. Mulheres trabalhando de igual para igual e ganhando da mesma forma ou até mais. Os homens aderem a essa mudança muito mais rápido que as mulheres. Para eles é melhor e mais fácil a nova posição. Só que as mulheres não aceitam serem tratadas de igual para igual apenas quanto às obrigações. Vêem no homem ainda um Senhor, apenas que liberal, que lhes impôs suas obrigações sem lhes dar nenhum direito ou proveito. Não exagerando, perante a lei todos são iguais, pelo menos no nosso mundo.

Elas sentem falta da tranqüilidade de um lar e dos filhos tão desejados e amados. Sentem saudades do amante fogoso e do marido atencioso, estranhamente isso não veio tudo junto, nunca veio. Com a divisão das obrigações os homens tinham a obrigação de terem se transformado no príncipe que nunca foi encantado.

Tinha tempo, antes, de dedicar-se ao marido. Hoje em dia, não sabe por que, mal se cumprimentam. Aliás, ela está se transformando naquilo que ela queria acabar. Só que agora, é só ela. O grande provedor se foi e ela tem que tomar o seu lugar.

Há um duelo no ar. Uma decisão paira sobre as cabeças, mas ele está aí, continua dizendo: “Mulheres, cheguei!” Espera os aplausos e a admiração que não vem. Abismado e sem saber como agir continua a espera de boas vindas. Terá chegado tarde ou as mulheres estão atrasadas?